aulo Silva de Jesus tem um longo histórico político. Hoje presidente do PSDB estadual, o suplente de senador foi líder estudantil na década de 1950, integrou o Partidão na década 1960 e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em Goiás, em 1979. Em 1982, com cerca de quarenta outros petistas que assim como ele estavam insatisfeitos com os rumos do PT, ingressou no PMDB, a convite de Henrique Santillo. No final dos anos 1980, abraçou de vez a Social Democracia e foi um dos fundadores do PSDB no Estado de Goiás.
Desde então, Paulinho de Jesus, como é chamado carinhosamente pelos amigos, tem atuado intensamente pelos ideais tucanos. Como presidente do partido trabalha para difundir a filosofia do PSDB e os fundamentos da Social Democracia desde a base partidária até a comunidade de uma forma em geral.
HOJE – Quais as metas do PSDB para todo Estado, tendo em vista as eleições de 2012?
Paulo de Jesus – Em 2004, fizemos 84 prefeitos e queremos ampliar esse número. Para chegar a isso, temos um planejamento estratégico mais intensivo para o entorno de Goiânia e do Distrito Federal e para as cinqüenta maiores cidades do Estado.
HOJE – O PSDB fará prévias? Qual sua opinião sobre elas?
Paulo – As prévias são o instituto de participação democrática dentro do partido, previsto em seu estatuto. E onde houver mais de um candidato que desejar a realização das mesmas, nós as faremos. Mas o nosso objetivo primeiro é chegar ao consenso, para que não fiquem fissuras e mal estar ou que venha desagregar a unidade do partido e atrapalhar o objetivo estratégico maior que é ganhar as eleições.
HOJE – É sabido que o PSDB tem dificuldades para eleição em Goiânia, região metropolitana e Anápolis. Quais as estratégias do partido para superar essas dificuldades?
Paulo – O que é sabido é que todo governo estadual sempre teve dificuldade de eleição de prefeitos nessas cidades. Isso pela diversidade, pelo cosmopolitismo e alto grau de politização e informação da população dessas cidades, o que as tornam mais exigentes. A estratégia será a penetração do partido como ação política e ações de governo de forma mais direta com a população, mostrando que o PSDB tem suas propostas vinculadas às reais prioridades da população e que realiza um planejamento de governo participativo, com influência direta da coletividade.
HOJE – O PSDB disputará as eleições nas cidades mais importantes com o objetivo de ganhar ou apenas com o objetivo de marcar seriamente oposição e compensar com a grande maioria que dispõe no interior?
Paulo – Todo partido político existe para aplicação de suas propostas, sua filosofia e suas ideias, com a estratégia de sempre buscar o poder. E a busca do poder leva a conquista dos executivos municipais, estaduais e federal para aplicação dessas mesmas linhas de pensamento. Portanto, o PSDB disputa o poder para vencer e aplicar os seus ideais sociais democratas, tendo seu ponto principal no respeito à dignidade da pessoa.
HOJE – São de conhecimento público as dificuldades que o governador encontrou neste primeiro ano de governo. A situação será revertida até o pleito, no sentido de que o PSDB conte com uma recuperação considerável do governo Marconi?
Paulo – Mais uma vez, o governo do PSDB, tendo a frente o governador Marconi Perillo, está trabalhando para consertar o Estado de Goiás. E ao fazê-lo, como anteriormente, o faz com a seriedade e a proposta dos ideais tucanos. Não para atender objetivos políticos, mas sim para atender aos anseios da população goiana. O PSDB é um partido que considera a seriedade e o espírito público exigências preliminares de qualquer atividade política.
HOJE – O PSDB é o partido da estabilidade da economia e da moeda; é o partido que cortou a inflação, que criou o Ministério da Defesa, a Lei de Responsabilidade Fiscal... E ainda assim parece que não explora todas as vantagens que tem. Por que está sempre na defensiva e não vai a público mostrar suas realizações e assim tentar reverter a defensiva em que se encontra há nove anos?
Paulo – O PSDB, por meio de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, resgatou o Brasil. E Marconi Perillo, em 1998, fez o mesmo por Goiás. Realmente, o partido acabou com a inflação que corroía o salário do trabalhador, reformou o Estado, com a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal; criou o SUS, dando uma nova perspectiva para a saúde da população, enfim, proporcionou uma série de avanços para o Brasil. O programa do PSDB exclui o socialismo estatizante, o puro liberalismo de mercado, as formas insensatas de distributivismo populista assim como todas as modalidades de populismo. Portanto, o PSDB não está na defensiva. Ele só respeita a nação brasileira, ou seja, o povo e sua inteligência.
HOJE – O senhor seria favorável ao financiamento público e privado das campanhas desde que a parte do financiamento privado seja exclusivamente por parte de pessoas físicas?
Paulo – Sou favorável ao sistema atual de arrecadação de campanha, público e privado. Mas com maior estrutura para o poder público – Justiça Eleitoral e Ministério Público – fiscalizar com efetividade. Mais rigor na aplicação da lei e menos impunidade.
HOJE – Que sugestões o senhor oferece com vistas ao fortalecimento dos partidos políticos brasileiros e, consequentemente, da democracia?
Paulo – O fortalecimento dos partidos políticos somente virá com fidelidade partidária efetiva, proibição das coligações proporcionais, cláusula de barreira, voto distrital misto e, enfim, a mudança do sistema de governo. O parlamentarismo é a última instância de um fortalecimento de um partido político e, consequentemente, fortalecimento da democracia. O PSDB busca e luta para que a democracia seja política, econômica, social, participativa e pluralista.
HOJE – A Celg é um marco para o atual governo de Goiás? Por que?
Paulo – Vejo a Celg como marco para o desenvolvimento sócio-econômico do Estado de Goiás. E que ela venha fornecer energia suficiente para a implantação de indústrias, que vão gerar emprego e renda, na cidade e no campo – na indústria, no agronegócio e na prestação de serviços –, para melhorar a qualidade de vida da população.
HOJE – O senhor tem sugestões a oferecer ou já ofereceu ao programa de governo de Marconi Perillo?
Paulo – Na caminhada eleitoral em 2010, o PSDB ouviu seus filiados, a população e, junto com ela, apresentou as propostas que, hoje, o governo Marconi Perillo e sua base aliada mostram para Goiás, estabelecendo as propostas que estão estruturadas nas três vertentes principais deste governo, sempre com foco no atendimento do ser humano, da família.
HOJE – O senhor acredita que o DEM será aliado para as eleições de 2014 em Goiás?
Paulo – Acredito. No plano nacional o DEM está conosco desde 1994, com Fernando Henrique Cardoso; no plano estadual desde 1998, com o governador Marconi Perillo. Por isso achamos que continuarão conosco, pois foram parceiros na estruturação de nossas propostas e estão nos ajudando a implementá-las. Esta aliança ainda tem muito a apresentar ao povo goiano e para o nosso futuro. Companheiros do PSDB não ficam pela estrada.
HOJE – O relacionamento entre os governos de Goiás e federal é satisfatório?
Paulo – É satisfatório e republicano de ambas as partes. Sempre disse que o povo goiano também é brasileiro. Da mesma forma que o governador Marconi Perillo faz um governo para todos os goianos, a presidente Dilma faz um governo para todos os brasileiros. O PSDB não utiliza a estrutura do poder para benefício próprio.
HOJE – O que o senhor está fazendo para fortalecer a vida interna, orgânica, política e as ligações do partido com a sociedade?
Paulo – Enquanto eu estiver na presidência do PSDB, estarei fortalecendo as bases partidárias, os diretórios municipais, os segmentos (PSDB Mulher, PSDB Jovem, Tucanafro) e os órgãos de cooperação, como é o ITV (Instituto Teotônio Vilela), que é o órgão de estudo dos fundamentos da social democracia. Entendemos que os partidos políticos devem promover as discussões políticas, ideológicas e filosóficas e ter uma maior interatividade, que se concretiza através de seus militantes, filiados e simpatizantes. Os partidos políticos só terão maior influência social por meio de uma reforma político-partidária que os fortaleça, a exemplo do sistema parlamentarista de governo.