Artesanato produzido na capital federal movimenta R$ 52 bilhões ao ano e já conquista mercado internacional
Folhas secas do Cerrado ganham vida e se transformam em lindos arranjos ornamentais. Assim acontece há 38 anos pelas mãos de Élcio Pereira que, desde os 12 anos, trabalha com artesanato. Aprendeu o ofício pela observação, vendo outro artesão trabalhar. Ele faz esqueletização das folhas, das fibras do coqueiros, das sementes e de uma variedade de frutos. Apesar da diversidade, Élcio se queixa da falta de matéria-prima, o que atribui à escassez e ao crescimento da própria cidade. Lembra que na década de sessenta havia muita fartura de material, principalmente no Gama. O artesão ressalta a importância de ter incentivo do governo pra que possam mostrar o trabalho em feiras e exposições. Segundo ele, o apoio do governo do Distrito Federal tem sido excelente e acha que o profissional do artesanato hoje é mais valorizado. Élcio acredita que isso ajudou a mudar a visão que as pessoas tinham do artesão, confundido com os “hippies” de antigamente. O artesão de hoje se sustenta com o próprio trabalho, afirma Élcio, que garante ter conseguido êxito no artesanato.
E não é pra menos. Segundo uma Pesquisa Vox Populi, a arrecadação do artesanato brasileiro é de R$ 52 bilhões ao ano, num universo de 8,5 milhões de artesãos. O mercado do artesanato vem superando indústrias tradicionais como vestuário, bebidas, farmacêutica, mobiliária, papel e papelão, e perfumaria e higiene.
Neste ano, a Secretaria de Trabalho recadastrou e regularizou a situação de mais de 1,3 mil artesãos de todo o Distrito Federal que receberam a Carteira do Artesão. Esse documento reconhece o profissional como autônomo, permite a emissão de notas fiscais das vendas e isenção do ICMS e garante a contribuição para a Previdência Social. De acordo com a Setrab, há atualmente seis mil artesãos no DF. Mesmo assim, a artesã Maria Amaziles, que faz bonecas, ao contrário do artesão Élcio, reclama da falta de incentivo do governo. “Se quisermos ir pra uma feira importante, temos o espaço, mas não temos ajuda de custo pra viagem”.